19 de jul de 2009

Mantra: Ôm namah Shivaya - Letra, Dêvanágari, Música e Tradução.


Existem 2 transliterações adotadas pela escola Swástha. A primeira é usada para textos no dia a dia, onde não há uma marcação exata dos fonemas. A outra transliteração usa-se de marcações gráficas para diferenciar cada fonema.

Bhôlanatha Umapatê shambho shankara pashupate Ôm Namah Shiváya (20x) Nándívahana nágabhúshana chandrashêkhara jatadhara gañgadhara hara gaurímanô hara nílkantha hara máhádêva Ôm namah shivaya (24x) Máhádêva shiva shankara shambhô umakánta hara tripurarí Mrityumjaya vrishabadwa shúlin gañgadhara hara máhádêva Ôm namaH shivAya (48x)

Neste mantra temos todos os termos designando aspectos de Shiva. Poderia resumir: bholanatha é Shiva, pashupatê é Shiva, Umakánta é Shiva… mas ficaria chato e sem sentido, logo vou deixar várias referências sobre os nomes só para você matar sua curiosidade.

Bholánátha - Bhola é o filho de um Vaishya com uma NaTi

Vaishya é a terceira casta hindu, a dos comerciantes. NaTi – pelo visto – pode designar tanto um tipo de dança como a própria dançarina do gênero.

Nátha literalmente é protetor, senhor, patrono. E designa a ordem ou seita começada porMatsyêndra Nátha, cujo discípulo Goraksha Nátha que escreveu o tratado de Hatha Yôga que foi destruido e depois reescrito por um de seus discípulos de memória e chamou-se hatha yôga pradipika.

Umapátê - Uma é outro nome para Parvati. Embora na cultura Hindu eles prefiram dizer que são encarnações diferentes para a mesma pessoa. Coisa do hinduismo, não tenho o que opinar sobre esta treta. Pátê é o vocativo de páti que é senhor, marido ou mestre (no sentido de dono, amo).

Como está no vocativo, é como dizer: “Olha a Uma, Fulano!” e nesse caso Fulano é igual a Marido que é igual a Shiva. Juro que não entendi essa declinação. Já encontrei por esse mundão internético sem fronteira Umapati, o que faria mais sentido e demonstraria que é só uma questão de sotaque. Afinal já que podemos dar o E final fica com o som de I (com excessão do sul que fala leitE quentE) eles podem muito bem falar o I como E.

Shambhô - Difícil achar alguma coisa sobre Shiva Shambhô. Somente me consta que é um dos nomes de Shiva. Tentei procurar nos puranas alguma históriasobre Shambhô, mas dei com os burros n’água.

Shamkara - Literalmente o Auspicioso. Fora a tradução literal, não encontrei mais nada relevante.

Pashupatê - Temos o mesmo efeito aqui: patê ou pati. Pashu é fera, animal selvagem, segundo o Monier Williams também pode ser usado no sentido figurado para nomear bípedes hominideos merecedores da pecha de animal. Em escavações arqueológicas de Mohenjo Dharo e Harapa (tem umas figurinhas legais) foram encontrados selos aos quais não se sabe ao certo para que serviam. O chute inicial dos arqueólogos é que serviam como carimbos para marcar mercadorias, na minha opinião pura achologia. Em um destes selos existe uma figura sentada com as pernas cruzadas e com chifres. Os mais afoitos querem acreditar que este selo é uma possível representação de Pashupati. Outra teoria doida é de que ele estaria sentado em posição de yôga por causa das pernas cruzadas. Ué? As pessoas daquela época não poderiam se sentar assim somente por costume? Agora tudo que é antigo e não tem explicação deveria ser yôga? Olhe por você mesmo o seloe tire suas conclusões.

Ôm namah Shiváya - Nama é nomeado, chamado. Está no nominativo: O Ôm é nomeado, O Ôm é chamado. Shiva está declinado no datativo (objeto indireto): de Shiva. O Ôm é chamado de Shiva. No sentido que o Ôm é Shiva. Levando em consideração que o Ôm é o corpo sonoro do absoluto, eu me sentiria honrado de ser chamado de Ôm, acho que Shiva também.

Nándívahana - Nándí é o nome do touro branco de Shiva. Literalmente nándí significa alegria, satisfação, prazer.

Vahara é o ato de carregar, levar. Nándi é a montaria de Shiva, Nándívahara é aquele que leva Shiva.

De uma forma metafórica e poética poderiamos dizer que Shiva é levado pela alegria, satisfação ou pelo prazer. Tão bonitinho quanto dar o nome de mimosa para uma vaquinha.

Nágabhúshana - Nága é serpente, bhúsha é adorno, colar. Ou seja: Aquele adornado por serpentes. Shiva inventou o jogo do Onde está o Wally você sempre vai ficar procurando alguns detalhes nas esculturas e pinturas. O Nandi, nága, trishula, essas coisas.

Chandrashekhara - Chandra todo mundo sabe que é lua. Shêkhara é o topo da cabeça ou uma coroa. O shiva que usa a lua como coroa, ou aquele que usa a lua no topo da cabeça. Fácil essa hein! Conta a lenda que Daksha teve vinte e sete filhas estrelas. Todas elas casaram com “o” lua (chandra é um termo masculino), mas o lua era malandrão e tava de olho em outras estrelas. As esposas foram reclamar com Daksha que ficou possuido e tascou uma maldição no lua. “Ele” perderia seu brilho até se extinguir. Os caras eram malvados naquela época, não bastava matar, tinha que sofrer. As plantas que precisavam da luz de chandra para não morrer resolveram dar a dica: procura Shiva que ele resolve tudo. Assim fez Chandra que foi acolhida por Shiva em sua cabeça dando-lhe forças para brilhar. Assim durante 15 dias a lua vai perdendo seu brilho e em outros quinze dias ganha novamente. Esta é a historinha para dizer por que a lua tem fases.

Jatadhara - Dhara é ostentar, levar, carregar. Jata é o coque sobre a cabeça.

Gañgadhara - Conta a lenda que Gañga precisava descer a terra, mas se caisse lá de cima aqui iria destruí-la. Sem saber como fazer sua entrada triunfante perguntou a Shiva como proceder. Ele macho que só disse: cai dentro! E o rio caiu sobre sua cabeça para amortecer o impacto e assim poder seguir o seu curso. Por isso do Jutajata de Shiva sai o rio gañga. Hoje em dia eles jogam de tudo nesse rio.

Hara - Literalmente é aquele que leva ou destruidor.

Gaurímanô - Shiva era malandrão tinha várias mulheres. Gaurí é outra versão de Parvatí ou encarnação, como preferem os hindus. Gaurí vem do termo Gaura, dourado, brilhante, claro. Gaurí é a dourada, assim como Kalí é a negra. Gaurímanô é o pensamento de Gaurí, e quem você acha que habitava o pensamento dela? Só pode ser nosso galã.

Nílkantha - Níla é azul escuro. Como diria o Mestre Carlos Cardoso: Níl vem de Anil e kantha é aquilo que você usa para “kantá”. Kantha é garganta. Literalmente o garganta azul.

Conta a lenda que os deuses estavam intediados e resolveram revirar o mar para ver no que dava. Idéia de jirico, mas confiemos na (falta de) sapiência divina. Das profundezas do mar saiu um veneno mortífero que iria destruir todo o mundo. Ups! Diriam os deuses. Como ninguém tinha coragem de fazer alguma coisa Shiva, bravo como era, tomou o veneno. Não sendo bobo nem nada ao invés de engolir reteve o veneno em sua garganta que ficou azul.

Umakánta - Kánta é o desejado, o amado, o querido, o bonito. E quem você acha que é o amado, o querido de Uma?

Máhádêva - Máhá é grandioso, o maior, o melhor. Dêva é divindade. Shiva é considerado pelos shivaistas como a maior divindade que existe.

Tripurári - Tripurá são os três componentes do sofrimento: ahamkára (ego), karma (ação e reação) e máya (ilusão). Tripurárí é quem venceu todos eles. Quem? Quem? Quem? Raimundo Nonato!

Mrityumjaya - Aquele que venceu a morte, ou o conquistador da morte. Mrityu é morte, jaya é conquista, ganhar, triunfo.

Vrishabadwa - Como Shiva é o senhor dos animais (vrisha), ele tem muitos (badwa) a sua volta.

Shulin - Uma das armas de Shiva é a lança, logo ele é o lanceiro (Shulin).

Vamos a letra escrita sem os sinais especiais de transliteração para os indexadores poderem indexar como um leigo escreveria os termos:

Bholanatha Umapate shanbho shankara pashupate Om namah shivaya (20x) nandivahana nagabhushana chandrashekhara jatadhara gangadhara hara gaurimano hara nIlkaNTha hara mAhAdeva ôm namah shivaya 24x mAhAdeva shiva shankara shambho umakAnta hara tripurari mRityuMjaya vRishabadva shUlin gangadhara hara mAhAdeva Om namaH shivAya 48x

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