22 de dez de 2009

Carta ao Papai Noel

Por Fábio Euksuzian

Caro Papai Noel,

O
lha aqui eu novamente, como todo ano o faço. Tenho escutado rumores de que está envelhecido e cansado. Pudera! Imagine ser requisitado por bilhões de humanóides ávidos por presentes e desejos que nem sempre merecem. Sei que sua paciência foi para o saco juntamente com os presentes e, por essas e outras, não pedirei nada, a não ser que mentalizemos juntos…aham…vamos chamar de melhorias…abaixo.

Que em 2010, mais pessoas deixem de fumar e que, outras tantas deixem de comer carne de outros animais;
entendamos que sempre existirá o próximo;
percebamos que o planeta não suportá mais o que estamos fazendo com ele;
fique claro e óbvio que não viveremos (esta vida) para sempre;
os formadores de opinião saiam da teoria e passem à ação;
se faça valer a lei do karma e do dharma;
que os políticos entendam que foram colocados no poder para servir e não para serem servidos;
cada indivíduo tome consciência de sua insignificância perante o Todo;
os guardas de trânsito entendam que punir não educa;
o presidente não abuse da inteligência do povo tupiniquim;
todo ser humano assuma sua parcela de responsabilidade no que concerne ao estado atual dos povos;
aprendamos com História;
gargalhemos em um final de tarde qualquer;
o povo acorde e rechaçe a manipulação;
os intelectuais parem de se lambuzar com o próprio ego e utilizem suas capacidades em prol de algo realmente nobre;
aprendamos a valorizar a experiência de que tudo o que for mais antigo do que nós;
tenhamos mais consciência de que um gesto ou palavra poderá machucar alguém por toda uma vida;
o amor reine absoluto em cada brisa de vento que atravessa as estradas;
a tolerância seja finalmente vista como sinal de maturidade e não de fraqueza;
os seres racionais mereçam ser intitulados como tal;
a tecnologia não nos faça se tornar mais uma engrenagem de sua velocidade progressista;
que os jogadores do esporte bretão deixem de comprar carros bregas e extirpem o doloroso ¨a nível de¨;
os governantes fétidos e inescrupulosos sejam hostilizados em locais públicos;
a arte adentre o cotidiano de cada ser vivo;
que os vizinhos descubram que os prédios não estão vazios;
que a mente de cada ser pensante se enleve, nem que seja por um degrauzinho de consciência;
entendamos que inexistem datas, dias, meses, anos e sim uma história contínua de acontecimentos que se dirige ao epílogo;
os casacos de pele sejam incinerados em praça pública enquanto suas donas comem rapadura ao som de Raul Seixas;
o mundo redescubra que Yôga é uma filosofia de vida e não uma exótica ginástica zen relaxante praticada por pessoas que precisam dela;
as pessoas forjem suas próprias opiniões;
cada animal presente na face, interface e profundezas da terra e do mar possa dormir em paz;
vislumbremos dinheiro como algo que só valha a pena se for feito bom uso dele;
aceitemos todo e qualquer resultado após termos feito heroicamente a nossa parte;
a nova geração não enterre suas almas em butiques de luxo e revistas de celebridades;
aquele que pense de forma egóica se transforme naquilo que estimula;
voltem a fazer filmes como antigamente;
você seja apresentado a alguém que ainda não conhece: você mesmo!;
aquela pessoa que tanto busca, lhe encontre;
comamos menos frituras;
espalhemos mais alegria e menos tristeza;
percebamos que a graça é o trajeto;
reclamemos menos;
possamos viver em harmonia com os outros e sobretudo, com nós mesmos;
o sexo volte a ser um pouquinho mais valorizado;
as operadoras de celular não sejam tão mesquinhas;
possamos aprender algo que jamais iremos nos esquecer;
o destino nos traga momentos que nos tirem o fôlego;
o pôr-do-sol deixe de se tornar apenas uma imagem de e-mail reenviado;
diminua a quantidade de agrotóxicos em nossas comidas;
as pessoas deixem de ir ao toalete com o blackberry;
a fumaça não encubra as estrelas;
possamos voltar a assistir sessão da tarde;
seja interrompida a produção de música ruim;
sejam banidos para todo o sempre os serviços de telemarketing que apliquem gerúndio;
uma nave alienígena capture todos os flanelinhas do Brasil;
nunca mais editem Big Brother;
não se produza mais camisetas com o rosto do Seu Madruga;
as pessoas voltem a dormir 8h por dia;
os inseguros interrompam a ingestão de esteróides;
a canalhice deixe de ser o prato do dia no Senado;
alguém tenha a coragem de dizer que grande parte das faculdades nunca servirão para nada;
consigamos ter a capacidade de nos sentirmos realmente felizes por alguém;
e que principalmente, meu bom velhinho, eu volte a acreditar em você, pois todo ano eu peço as mesmas coisas!

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