12 de abr de 2011

Yôga e Hinduísmo

Hinduísmo é um termo que designa o conjunto de movimentos culturais surgidos e aceitos na Índia a partir de, aproximadamente, 1.500 a.C.

Ele não pode ser considerado uma religião[1], como às vezes pensa-se no Ocidente. Trata-se antes de um conjunto de instituições, preceitos éticos, jurídicos, históricos, filosóficos, artísticos e que, consistindo de tradições ora na forma de crônicas, epopéias e lendas, ora na forma de tradições orais, ainda pode revelar princípios antagônicos.

O hinduísmo, em síntese, tem duas fases: Shruti, a mais antiga, e Smriti, posterior.

ÔM o símbolo universal do Yôga e do hinduísmoShruti significa aquilo que é ouvido. Consiste na transmissão oral (parampará) de Mestre a discípulo, ou ainda, à revelação, significando uma classe de conhecimento aprendido por via direta, de dentro de si mesmo. O Shruti é considerado a autoridade máxima que, posteriormente, foi compilado em livros denominados Vêdas, escritos a partir de 1.500 a.C.

Existem quatro Vêdas: Rig Vêda, Yajur Vêda, Sama Vêda e Atharva Vêda. Cada um deles se compõe de: Karma Kanda (rituais); Upasana Kanda (meditação); e Jñána Kanda (autoconhecimento); os quais se subdividem em: Mantras, Aranyakas, Brahmanas e Upanishads. Esta última divisão, Upanishads, é a parte mais famosa do Shruti. Ela foi escrita aproximadamente em 400 a.C. e consiste nos comentários finais para cada um dos quatro Vêdas.

Smriti significa memória. São registros posteriores ao Shruti. É a parte mais popular, folclórica, mítica e interpretativa dos Vêdas e se subdivide em quatro partes:

Itihasas: são os épicos. Seus livros principais são o Rámáyána e o Mahábhárata (considerados por muitos como a “bíblia” hindu). Nesse último livro citado há um capítulo, inserido mais tardiamente, que se tornou bem famoso, a Bhagavad Gítá. O principal objetivo dos Itihasas é interpretar os Smritis de uma forma mais popular. A Bhagavad Gítá, por exemplo, conta de maneira simbólica e poética a guerra entre os kurus e os pandavas, onde o personagem principal é Krishna que, com o decorrer dos séculos, acabou sendo mitificado e deificado.

Puránas: são constituídos de crônicas, lendas e parábolas, seguindo aos épicos em importância. Entre muitas coisas, esses textos registram as genealogias de reis e heróis, anteriores a 500 a.C. A finalidade dos puránas é a de levar ao povo lições de moral, de bondade, justiça e poder, através das várias manifestações das divindades. Tradicionalmente, existem 18 puránas principais e um número igual de subsidiários.

Ágamas: são tradições de caráter exclusivamente devocional. As mais populares são: o Shivaísmo, o Vishnuísmo e o Shaktismo. A característica principal dessas escrituras está na quantidade de preceitos e rituais que devem ser utilizados pela população mais devota e religiosa.

Darshanas: são as seis principais correntes filosóficas, ou as seis escolas ortodoxas do hinduísmo. Os seis darshanas são: Yôga, Sámkhya, Vêdánta, Nyáya, Vaishêsikha e Purva Mímánsá .

O Yôga está citado tanto no Shruti, principalmente nas Upanishads; quanto no Smrti, dentro dos Itihasas e sistematizado como darshana.

[1] Nem ao menos existe, na língua sânscrita utilizada pela ortodoxia hindu, a palavra religião. O termo que mais se aproxima deste conceito é dharma, cuja tradução literal é lei; e que pode se referir tanto às leis divinas, quanto às leis humanas. O hinduísmo não é uma religião, tal como o cristianismo também não o é. Contudo, existe uma religião hindu assim como existe uma religião católica, que pertence à tradição cultural do cristianismo.”

Texto gentilmente cedido do livro Yôga Sámkhya e Tantra, autor: Sergio Santos, 5º edição.

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